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  • Eriksson garante que Benfica tentou, mas AC Milan era "muito forte" em 1990

    Desporto


    O treinador sueco Sven-Goran Eriksson garantiu à agência Lusa que o Benfica tentou vencer a final da Taça dos Campeões de futebol de 1990, mas lembrou que, então, o AC Milan era uma equipa ?muito, muito forte?.

    ?Defendemos muito bem. Eles não criaram muitas oportunidades, mas, infelizmente, o Rijkaard conseguiu ultrapassar uma vez a nossa defesa e marcou?, lamentou Erikson, recordando a última final dos ?encarnados? na principal prova europeia, há 30 anos.

    Em 23 de maio de 1990, o médio holandês, que teve uma passagem fugaz por Alvalade em 1987/88, acabando por nunca vestir a camisola do Sporting, resolveu o jogo no Estádio do Prater, em Viena, com um tento aos 67 minutos.

    ?Eles tinham um meio campo extremamente bom e uma defesa muito compacta. Era muito difícil criar oportunidades de golo contra eles?, afirmou o técnico sueco, agora com 72 anos, acrescentando: ?Para ganhar, tínhamos de ter criado mais oportunidades?.

    Eriksson, então com 42 anos, conduziu o Benfica ao jogo decisivo da Taça dos Campeões de 1989/90 na segunda passagem pelos ?encarnados? (1989/90 a 91/92), depois de, na primeira (1982/83 e 83/84), ter levado a equipa da Luz à final da Taça UEFA.

    ?O AC Milan era a melhor equipa do Mundo, e não só nesse ano. Basta recordar que tinham o Gullit, o Van Basten e o Rijkaard, três holandeses muito fortes, fantásticos, e mais de metade da seleção italiana?, lembrou, sorrindo, o técnico sueco.

    O Benfica não foi, porém, apanhado desprevenido, pois, segundo Eriksson - que chegou à Luz proveniente do Gotemburgo, esteve na Roma e na Fiorentina entre as duas passagens por Portugal, e depois treinou Sampdoria, Lazio, a seleção de Inglaterra ou o Manchester City -, o AC Milan foi estudado ao pormenor.

    ?Vimos muitos vídeos e observámo-los várias vezes ao vivo. Sabíamos como jogavam, como o [Arrigo] Sacchi os colocava em campo, em ?4-4-2? ou ?4-4-1-1?, como eram compactos, como pressionavam, como defendiam, como atacavam?, contou à Lusa o sueco, acrescentando: ?Sabíamos o que tínhamos de fazer, mas saber é uma coisa e conseguir fazê-lo é outra?.

    O Benfica acabou derrotado, como em 1962/63, 64/65, 67/68 e 87/88, sofrendo o quinto desaire consecutivo em finais da Taça dos Campeões, depois de se ter sagrado bicampeão europeu, com os triunfos de 1960/61 e 61/62.

    ?Eu sei que perdemos, mas penso que estivemos ?ok?. Muitos acusaram-nos de não termos tentado, mas não concordo. Penso que tentámos, mas era muito difícil?, reforçou Eriksson, que, comentando a ausência do ?capitão? Veloso, foi claro: ?Se queríamos bater os italianos, tínhamos de ter todos os jogadores... e também alguma sorte?.

    Depois da presença em Viena, nunca mais o Benfica chegou a uma final da principal prova europeia de clubes, sendo que, na ?era Champions?, desde 1992/93, não conseguiu mais do que quatro presenças nos ?quartos? (1994/95, 2005/06, 2011/12 e 2015/16).

    ?Se é possível o Benfica voltar? Espero que sim, pois continuo a ser benfiquista. Porque não??, questionou Eriksson.

    A vontade de ver os ?encarnados? repetirem o que conseguiram, pela última vez, há 30 anos esbarra, porém, na diferença de poderio financeiro para os ?gigantes? europeus.

    ?A realidade é que é muito difícil. Quando se vê o dinheiro que os cinco ou 10 principais clubes investem para ganhar a competição, tornando-se cada vez mais fortes, parece-me que agora é mais difícil para os clubes portugueses?, finalizou.

    Há 30 anos, em 23 de maio de 1990, em Viena, o Benfica disputou pela sétima e última vez a final na Taça dos Campeões, sofrendo o quinto desaire consecutivo, depois dos títulos em 1960/61 e 61/62, ao perder por 1-0 com o AC Milan, que revalidou o título, depois do 4-0 ao Steaua Bucareste em 1988/89.

    Source: SAPO Desporto

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