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  • Futebol e violoncelo ajudam jovem de Gaia a preparar futuro longe do telemóvel

    Desporto


    Helena Duarte tem 14 anos, acumula a prática do futebol na escola de formação do Benfica com a aprendizagem do violoncelo, ambas em Vila Nova de Gaia, por recusar-se a ficar em casa a ver televisão ou o telemóvel.

    Três vezes por semana, entre as 20:30 e as 21:30, Helena Duarte calça as chuteiras para seguir o sonho de ser como os seus ídolos Rúben Dias (Benfica) e Virgil Van Dijk (Liverpool), em Grijó.

    Nos outros dois dias, a bola dá lugar ao violoncelo na Escola de Música de Perosinho, em aulas entre as 14:30 e 15:30, sempre em complemento com a frequência do 9.º ano na Escola Básica 2,3 Soares do Reis, na mesma cidade.

    Em declarações à Lusa, contou que o futebol surgiu por ?influência do pai e do avô? e que, sonhando em seguir a carreira desportiva, a aposta de vida vai para a medicina, uma frequência académica que promete, a médio prazo, ocupar-lhe ainda mais o tempo já hoje curto.

    A explicação foi complementada por Sandra Duarte, que, além de mãe da Helena, é uma espécie de taxista permanente da jovem defesa central.

    ?Ela é muito focada e dedicada em tudo o que faz e no que decide fazer. Sempre tivemos a opção de ela experimentar coisas diferentes (?). No caso da Helena, escolheu o violoncelo e o futebol e o que quer seguir é saúde, todas elas situações de muita exigência?, contou.

    Apesar de ter apenas 14 anos, Helena treina-se com as sub-19 e defende que, tanto no futebol como no violoncelo, há que estar ?focada ao máximo, pois ao mínimo erro cai tudo?.

    ?O tempo que as duas tarefas me ocupam ajudam-me a preparar para o futuro, a saber-me organizar, porque como adultos teremos de conseguir conciliar tudo?, disse a jovem para quem ?não há diferença entre o futebol masculino e feminino? e que ?Portugal está a evoluir cada vez mais?, citando como exemplo as seleções sub-17 e sub-19, que foram apuradas para a Ronda de Elite do Europeu.

    A estudar violoncelo, por influência da irmã, desde os seis anos, Helena mostrou pragmatismo quando questionada sobre porque gosta de manter-se ocupada.

    ?Não sou como a maior parte dos jovens que preferem não fazer nada e ficar sentados no sofá a olhar para o telemóvel, ou para a televisão. Acho muito melhor e muito mais educativo, em vez de ficar sentado no sofá, a jogar videojogos, aprender algo que seja bom para o futuro?, refletiu.

    O professor de violoncelo, João Costa, ensina-lhe o dedilhar no instrumento, mas também observa uma lógica que aproxima duas realidades que se tocam no objetivo: ?do contributo do futebol para a música, consigo ver, enquanto ela tiver uma atitude saudável, o trabalho de equipa?.

    ?A Helena é aluna de violoncelo, mas também faz parte de uma orquestra e uma orquestra é um modelo de relação social dos mais utilizados para as empresas, por todos terem de colaborar para um sucesso conjunto. E no desporto é a mesma coisa?. precisou João Costa.

    Em campo, o treinador João Ribeiro, com um passado também ligado à música, acrescentou a sua opinião sobre a atleta e a aluna de música, considerando que a Helena ?tem uma sensibilidade e uma personalidade bastante desenvolvidas?.

    ?Considero que o futebol acaba por ser uma forma de arte e é importante ela ter essa sensibilidade para as respostas que o futebol exige. A capacidade para gerir as emoções tem de ser trabalhada. Como também estudei música, acabo por ter essa perceção, o de que qualquer tipo de arte nos dá esse lado emocional que depois se transfere para o futebol?, disse.

    Source: SAPO Desporto

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